segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Palas Atena fala ao Amor

Aí está você... Há quanto tempo não te via, como vai? Sentiu saudades do meu mundo? Aliás, essa é uma questão deliciosamente retórica, pois clamei em silêncio durante muitas noites por teu regresso... Mas disso você já sabia; você sempre sabe. Tal qual  um pássaro nasce com o dom supremo de conquistar o firmamento, você explora e conquista cada esquina de minha existência, sempre espreitando meus pensamentos, lágrimas e sorrisos. E como isso me conforta... e assusta. Como deve se sentir uma presa prestes a sucumbir ao faminto algoz? Desafia-me, ronda-me, mas nunca poupa-me. Minha selvagem natureza deleita-se com cada intróito, por mais que o medo a tente. Minha alma feroz foi forjada para a batalha, porém, como lutar contra a essência que te domina? Seria uma espécie de suicídio!
Sim, à primeira vista tudo isso não passa de um emaranhado de palavras sem sentido, entretanto, para que dar sentido ao indefinível? Quero decifrar-te, mas você já vem com a resposta pronta, feita, eloquente, inquestionável. O que há com a esfinge que habita meu ser? Cansada de jogar ou seduzida pelo cinturão daquela vinda da espuma? Minha poderosa armadura não resiste mais ao ardor da batalha; minha espada sagrada já não fere com ódio... Não entendo. Como uma divindade pode sentir medo? Gostaria de sentir como uma mortal, pois talvez os mortais saibam o que você  pode causar à mente alheia... quando jurei não sucumbir ao poder afrodisíaco, jamais pensei que estaria condenando-me ao oposto, já que o sedutor veneno trazido pela flecha de Eros tomou meu ser com tanta doçura que já não posso mais resistir... Sim, mortais, eis que digo: quando fala o coração, cala-se a razão. E, faço-te um pedido: por favor, não se vá... Saber que pode ouvir meu clamor proporciona uma satisfação inenarrável. Prometa-me que continuará a me ouvir, sorrindo de todas as minhas incertezas e desafiando a minha coragem.